Mulher & Maternidade Reflexões

E quando seu filho é o agressor?

19 de setembro de 2016

A maioria dos pais perdem o sono com preocupações com a segurança dos filhos, se acercam de todos os meios possíveis para que suas crianças nunca sofram uma violência física ou psicológica. Porém, em poucas situações esses mesmo pais conseguem imaginar sua prole sendo o causador da violência, o agressor. Será que a dor de uma mãe que tem um filho que comete atos bárbaros é menor da mãe de quem sofre com tais atos? Porque além da dor, há também a carga de culpa dupla, as colocadas pelos próprios pais e as que a sociedade se encarrega de adicionar, que eles carregam nos ombros.

Para refletir um pouco mais sobre o assunto, vale a pena dar uma conferida no livro “ O acerto de contas de uma mãe”, este livro é escrito pela mãe de Dylan, o garoto e seu amigo Eric foram responsáveis por 13 mortes no ataque a escola Columbine High School, Sue Klebold. Os meninos entraram na escola em que estudavam e atiraram contra colegas e professores e depois se mataram. Essa triste história virou um documentário ganhador de Oscar “Tiros em Columbine”, onde Michael Moore mostra não somente os planos dos garotos para toda aquela carnificina, como também faz sérios questionamentos sobre a violência nos jovens, a cultura de posse de arma e jogos violentos. Contudo o livro traz uma perspectiva diferente sobre o assunto, já que é contado pela mãe do próprio Dylan.

Em todo o livro ela irá repetir diversas vezes o quando se culpa por não ter percebido as pequenas mudanças que o filho demonstrava no comportamento, para ela essa percepção poderia ter salvado todas as crianças que morreram naquele dia, incluindo a vida do próprio filho. Há os relatos de como ela passou da incredulidade dos atos do filho, ao sentimento de culpa, a aceitação dos fatos e de como parecia errado perante a sociedade que ela ainda amasse Dylan. Há o relato das suas lembranças do dia em que tudo aconteceu, de como Dylan acordou já agitado e batendo portas e o que fez ela e o marido decidirem conversar com ele a noite…E ela se arrepende por ter deixado para depois resolver os problemas com o garoto: “O que eu mais queria era ter segurado o Dylan naquela manhã e ter dito a ele: ‘Senta aqui. Você não vai a lugar nenhum. Vamos conversar’.”

Tragédia como essa é possível de acontecer a qualquer família, com os pais mais atenciosos e amorosos que se possa ter. Apesar do bom ambiente familiar formar quase sempre pessoas de bem, infelizmente ela não é o único ponto que se soma a personalidade de nossos filhos. Então porque sempre quando coisas assim ocorrem nós sempre estamos dispostos a criticar primeiro aos pais, a colocar toda a culpa em ombros que já estão pesados. Na maioria das vezes, nem paramos um segundo sequer para pensar que o mau comportamento nem sempre está associado a um lar de pouco amor e cuidados. Essa é uma das grandes dificuldades de se ter filhos, porque apesar de carregarem sua genética, de você o influenciar pela vida…ainda assim nada garante que ele simplesmente não seja aquela pessoa que você imaginou que ele seria.

“Quando eu penso no que ele fez, nas vidas que ele tirou, no trauma que ele causou… não há como mensurar isso. Eu sei que terrivelmente difícil para os que sobreviveram me ouvir falar do amor que eu sentia pelo Dylan. Mas ele era meu filho e conhecê-lo enriqueceu minha vida. Eu o amei. Ele me trouxe muitas alegrias.”

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O acerto de contas de uma mãe, Sue Klebold, editora verus, 304 páginas

Se quiser saber mais sobre esta história, Leia um trecho do livro

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