Educação & Comportamento

Será que meu filho tem Autismo? Entenda como identificar e a hora certa de procurar um dDiagnóstico

8 de outubro de 2020

autismo

Hoje, muito mais falado na sociedade, com informações disponíveis na internet, séries de TV sobre o tema e relatos nas redes sociais de pessoas que convivem com o autismo diariamente, o TEA – Transtorno do Espectro Autista, deixa de ser um tabu, mas ainda há muito o que ser explicado sobre seu diagnóstico; E é sobre isso que a Dra. Gladys Arnez, neurologista infantil e da adolescência, , mestranda em Neurociências com ênfase no Tratamento do autismo e à frente da Clínica Neurocenterkids, em SP vai nos explicar hoje.

Com a classificação do DSM5 o Transtorno do Espectro Autista acaba ficando em um grupo de Transtornos do Neurodesenvolvimento, juntamente com o TDHA, Transtorno especifico da aprendizagem, transtorno do desenvolvimento intelectual, transtorno da comunicação, transtornos motores.

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Mas o que é um Transtorno de Neurodesenvolvimento?

Segundo a Dra. Gladyz Arnez, os Transtornos do neurodesenvolvimento, são transtornos que levam a um déficit no comportamento pessoal, social e acadêmico do indivíduo; que podem ir de  leves, como os transtornos específicos de aprendizagem,  até aos quadros mais incapacitantes como  por exemplo, o transtorno de espectro autista, que dependerá muito do grau e do nível que a criança apresenta.

Tem se falado que os Transtornos do Neurodesenvolvimento correspondem a 10% da população infantil, o que é um número alto e preocupante. Então é necessário que ao perceber qualquer sintoma, a criança seja levada o quanto antes a um neurologista infantil para que se tenha um diagnóstico preciso.

Segundo o DSM5, os tópicos principais que correspondem aos Critérios Diagnósticos do Espectro Autista, são:

  • Déficits clinicamente significativos e persistentes na comunicação e nas interações sociais, manifestados de todas seguintes maneiras:
  • Déficits expressivos na comunicação não verbal e verbalusadas para interação social; ou seja, a interação visual. A verbal seria o atraso da fala, mas nem todos tem, principalmente a criança com Asperger, que no geral apresenta uma boa comunicação verbal, complementa a Gladys Arnez.
  • Falta de Reciprocidade Social; Trata-se de quando a criança não se importa muito com a interação social; Quando ela prefere ficar sozinha, vivendo em seu próprio mundo, brincando com seus brinquedos e fazendo somente o que gostam. Sempre de modo repetitivo.
  • Incapacidade para desenvolver e manter relacionamentos de amizade, apropriados para o estágio de desenvolvimento; ou seja, eles preferem ficar sozinhos. Inclusive o Asperger. No geral, ele se interessa por um assunto e é tão bom naquilo, que acaba cansando os outros. Por Exemplo; se seu interesse for nome de países; então ele começa a falar só deste assunto e não gosta de ser interrompido e isso acaba cansando as outras pessoas e muitas vezes, por isso, ele acaba sofrendo bullying- explica a Gladys.

Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, manifestados por pelo menos duas formas:

  •  Comportamentos motores ou verbais estereotipados ou comportamentos sensoriais incomuns; A ecolalia, a fala repetitiva muitas vezes durante o dia. Também estamos falando das estereotipias motoras; balanço do corpo, das mãos, inclusive muitas crianças podem bater a cabeça quando estão irritadas- diz a Gladys.
  • Excessiva adesão/ aderência a rotinas e padrões ritualizados de comportamento. É comum, por exemplo, a criança querer comer sempre no mesmo prato, a mesma comida. Ou quando na idade adulta, a pessoa vai querer comer sempre no mesmo restaurante, na mesma mesa, a mesma comida, vai querer ser atendida pelo mesmo atendente. São comportamentos ritualizados. Os rituais fazem parte da vida do autista.
  • Interesses restritos, fixos e intensos.

Geralmente essas crianças vão querer brincar com a mesma brincadeira, assistir os mesmos desenhos repetitivamente. Elas podem até se juntar à outras crianças, mas elas não brincam com essas crianças, elas preferem brincar sozinhas.

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A Dra. Gladys Arnez, Neurologista infantil da Neurocenterkids, explica que esses sintomas devem estar presentes no período de neurodesenvolvimento, mas podem não se manifestar completamente até que as demandas sociais excedam o limite de suas capacidades, então, ela começa a regredir. Geralmente acaba “desaprendendo” o que já tinha aprendido ou já não evolui mais. Isso pode acontecer por volta dos dois anos de idade.

Transtorno do Espectro Autista também pode estar relacionado com outros diagnósticos, mas dependerá muito da idade da criança. Temos principalmente oTranstorno de Ansiedade, que é bastante comum na adolescência. Os Transtornos Depressivos, a Deficiência Intelectual; as Epilepsias e os Transtornos de Comunicação.

No decorrer do autismo podem aparecer muitas outras doenças e geralmente ele não vem sozinho, podendo estar associado com outros quadros clínicos, como o distúrbio do sono.

O mais importante dentro de um diagnóstico de autismo é a avaliação, perfil comportamental da criança junto com os pais e com o médico neurologista. Como bem explica a Dra. Gladys Arnez:

A gente avalia essa criança no consultório e agradece se a família puder fazer algum vídeo caseiro mostrando a criança em diferentes momentos do dia, seja brincando em casa, na escola, quando for visitar algum familiar, isso ajuda demais na avaliação para um diagnóstico preciso”.

E para finalizar, a Dra. Gladys Arnez completa: “Outro ponto muito importante é a avaliação interdisciplinar. O neurologista junto com uma equipe interdisciplinar, que, dependendo da necessidade da criança, pode ser uma fonoaudióloga, uma psicóloga, uma psicopedagoga, uma terapeuta ocupacional, e outros, para fecharmos o diagnóstico de forma precisa e avaliarmos a melhor terapia e o melhor tratamento para cada caso.”

Leia também https://ceudeborboletas.com.br/personagem-andre-de-mauricio-de-sousa-ajuda-a-entender-o-autismo/

Existem também textos, questionários, que auxiliam, mas o mais importante sempre será a avaliação cognitivo comportamental além do relato dos pais.

CRÉDITOS:

Dra. Gladys Arnez é médica Pediatra e Neurologista Infantil e da Adolescência, especialista em Transtornos Escolares e Comportamentais, mestranda em Neurociências com ênfase no Tratamento do autismo e está à frente da Clínica Neurocenterkids, em Santo André/SP.

www.clinicaneurocenterkids.com.br

 

 

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